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Homens jovens que fazem sexo com outros homens concentram a incidência de Aids na cidade de São Paulo

Dados divulgados através do Boletim Epidemiológico do Município de São Paulo apontam para um crescimento da epidemia entre os homens que fazem sexo com homens, especialmente na faixa etária de 13 a 29 anos.

Agência Aids
29/11/2013

Os índices de mortalidade e letalidade de Aids estão diminuindo no município de São Paulo, assim como a incidência da doença na população geral. Entretanto, os homens entre 13 e 29 anos que fazem sexo com outros homens representam um grupo em que os números da doença crescem, especialmente no centro da cidade, como divulgado nesta sexta-feira, 29 de novembro, pelo Boletim Epidemiológico do Município de São Paulo, referente a dados de 2012. O lançamento ocorreu em cerimônia na Praça das Artes, no centro de São Paulo.

Em 2012, a cidade de São Paulo registrou 2.202 novos casos de aids, sendo cerca de 1600 deles em homens e 600 em mulheres. No mesmo ano, 779 pessoas morreram em decorrência da doença. A incidência de aids, de 19,3 para cada 100.000 habitantes, representa uma redução de cerca de 60% em relação a 1998.
A Coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids do Município, Eliana Gutierrez, viu os dados gerais como positivos, dizendo que eles “assinalam o quanto o enfrentamento da epidemia obteve sucesso em suas ações e políticas implantadas”.

Dentre os dados que preocupam a gestora, estão a incidência e a mortalidade muito elevadas na população negra (o dobro dos números registrados entre os brancos).

“A aids pega muito pesado com a poulação negra, precisamos enfrentar essa inequidade insuportável”, disse Eliana.

Preocupam também o aumento na razão entre os sexos e nos homens jovens. Em relação ao primeiro item, a razão entre os sexos voltou a ser 3/1, ou seja: em São Paulo há uma mulher infectada para 3 homens com o HIV.

Esse aumento pode se relacionar com o crescimento da epidemia entre os homens que fazem sexo com homens, especialmente na faixa etária de 13 a 29 anos. A transmissão sexual através da relação com outros homens representou 47% dos casos do sexo masculino. Em 2008, essa taxa ficava em 39,3%. A Sé é historicamente a região que mais concentra os números de HIV/Aids na cidade.

Eliana Gutierrez enfatizou a necessidade de, com base nos dados, potencializar e focalizar as ações nos grupos mais afetados. “É hora de pegar a informação e partir para ação. Por exemplo, sabemos que é muito necessário fazer ações de prevenção com a população jovem”, disse ela.

Destaque para ONGs

A cerimônia lançou também a revista “- HIV +”, publicação da Secretaria Municipal de Saúde, sob coordenação do jornalista e membro da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP), Paulo Giacomini, que se disse muito honrado com o convite. A publicação mostra o trabalho das principais ONGs asisstenciais na área de HIV/aids em São Paulo.

Para Eliana Gutiérrez, a revista é de grande importância simbólica e traz muitas informações. “Sabemos que a resposta à aids no nosso país só é como é por causa das articulações com a sociedade civil, que etão todos os dias na ponta enfrentando a epidemia”, frisou ela.

No evento, também houve a doação do quadro (foto) de autoria da artista plástica Suzy Fukushima para o Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids), que vai leiloá-lo e reverter os fundos para o combate à epidemia. A obra de Suzy Fukushima estampou a campanha “#sampacontraaids”, promovida pelo Programa Municipal de DST/Aids.

Nana Soares