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Orientações para o cuidado das PVHA na pandemia de COVID-19

Esta orientação provisória analisa considerações especiais para pessoas com HIV e seus profissionais de saúde, em relação ao COVID-19.

Programa Estadual de IST/AIDS de São Paulo
03/04/2020

Esta orientação provisória analisa considerações especiais para pessoas com HIV e seus profissionais de saúde, em relação ao COVID-19. Informações e dados sobre o COVID-19 estão evoluindo rapidamente. Esta orientação inclui informações gerais a serem consideradas. Os médicos devem consultar fontes atualizadas para obter recomendações mais específicas sobre o COVID-19.

Texto traduzido e adaptado a partir de material do the Office of AIDS Research Advisory Council, EUA.

Orientação para todas as pessoas com HIV/aids

  • Nos relatos atuais, indivíduos com idade> 60 anos e portadores de diabetes, hipertensão, doença cardiovascular ou doença pulmonar têm maior risco de COVID-19 com risco de vida, a doença causada pelo vírus conhecido como SARS-CoV-2.
  • Os dados atualmente disponíveis não indicam que o curso da doença do COVID-19 em pessoas com HIV/aids difere de pessoas sem HIV. Antes do advento da terapia antirretroviral combinada eficaz (TARV), a infecção avançada pelo HIV (contagem de células CD4 <200 / mm3) era um fator de risco para complicações de outras infecções respiratórias. Ainda não se sabe se é válido para o COVID-19.
  • Algumas pessoas com HIV/aids têm outras comorbidades (por exemplo, doença cardiovascular, diabetes ou doença pulmonar) que aumentam o risco de um curso mais grave da doença de COVID-19. Fumantes crônicos também estão em risco de doenças mais graves.
  • Assim, até que se saiba mais, é necessário cuidado adicional para todas as pessoas com HIV, especialmente aquelas com HIV/aids avançado ou HIV/aids mal controlado.
  • Todo esforço deve ser feito para ajudar as pessoas com HIV a manter um suprimento adequado de TARV e todos os outros medicamentos concomitantes.
  • As vacinas contra influenza e pneumocócica devem ser mantidas atualizadas.
  • As pessoas com HIV/aids devem seguir todas as recomendações do Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde e Secretarias Municipais de Saúde para prevenir o COVID-19, como distanciamento social e higiene adequada das mãos. Essas recomendações são atualizadas regularmente.

Terapia Antirretroviral

Pessoas com HIV/aids devem:

  • Manter disponível idealmente, um suprimento de 90 dias - de medicamentos antirretrovirais (ARV) e outros medicamentos.
  • As pessoas para as quais uma troca de regime está planejada devem considerar adiar a troca até que seja possível acompanhar e monitorar de perto.

Visitas de Monitoramento Clínico ou Laboratorial Relacionadas ao Atendimento às PVHA:

  • Para pessoas com carga viral de HIV indetectável e com saúde estável, as visitas médicas e laboratoriais de rotina devem ser adiadas na medida do possível.
  • Os medicamentos ARV devem ser fornecidos.

Orientação para populações específicas

Grávidas com HIV/aids:

  • Atualmente, há informações limitadas sobre gravidez e resultados maternos em indivíduos que têm COVID-19.
  • Alterações imunológicas e fisiológicas durante a gravidez geralmente aumentam a suscetibilidade de uma pessoa grávida a infecções respiratórias virais, possivelmente incluindo o COVID-19. Como observado com outras infecções por coronavírus, o risco de doença grave, morbidade ou mortalidade com COVID-19 pode ser maior entre as gestantes do que na população em geral.

Crianças com HIV/aids:

  • A partir dos dados disponíveis, as crianças parecem menos propensas a ficar gravemente doentes com a infecção por COVID-19 do que os adultos mais velhos.
  • No entanto, pode haver subpopulações de crianças com risco aumentado de doença mais grave por COVID-19; em estudos de infecção por coronavírus não COVID-19 em crianças, idade mais jovem, patologia pulmonar subjacente e condições imunocomprometidas foram associadas a resultados mais graves.
  • Bebês e crianças com HIV devem estar em dia com todas as imunizações, incluindo vacinas contra influenza e pneumocócica.

Orientação para pessoas com HIV/aids em isolamento domiciliar/quarentena devido à exposição à SARS-CoV-2

Os profissionais de saúde devem:

  • Verificar se os pacientes têm suprimentos adequados de todos os medicamentos e agilizar entregas adicionais, conforme necessário.
  • Avaliar as PVHA em relação ao desenvolvimento de sintomas relacionados ao COVID-19, e tomar condutas recomendadas para cada caso.

Pessoas com HIV/aids devem:

  • Entrar em contato com a equipe de saúde para informar que eles estão em isolamento domiciliar/quarentena.

Orientação para pessoas com HIV/aids que tenham febre ou sintomas respiratórios e que estejam buscando avaliação e atendimento

Os profissionais de saúde devem:

  • Seguir as recomendações do MS, bem como as orientações estaduais e locais dos departamentos de saúde sobre controle, triagem, diagnóstico e gerenciamento de infecções.

Pessoas com HIV devem:

  • Procurar atendimento médico se desenvolverem febre e sintomas (por exemplo, tosse, dificuldade em respirar).
  • Ligar para o serviço de saúde com antecedência para se informar do fluxo de atendimento estabelecido.
  • Realizar higiene das mãos com água e sabão por 20 segundos ou álcool em gel, além de etiqueta da tosse (ao tossir/espirrar sempre cobrir a boca e nariz com papel descartável ou utilizar a dobra do cotovelo) ao se apresentar no serviço de saúde, solicitar uma máscara facial assim que chegar.

Diretrizes para o manejo de pessoas com HIV/aids que desenvolvem o COVID-19

Quando a hospitalização não é necessária, a pessoa com HIV/aids deve:

  • Observar os sintomas em casa com cuidados de suporte para alívio sintomático.
  • Procurar o serviço de saúde se os sintomas progredirem (por exemplo, febre prolongada por 2 dias, falta de ar).
  • Continuar a terapia ARV e outros medicamentos, conforme prescrito.

Quando a pessoa com HIV/aids é hospitalizada:

  • A TARV deve ser continuada.
  • As substituições de medicamentos ARV devem ser evitadas.
  • Para PVHA que estão tomando um medicamento ARV sob investigação como parte de seu regime, devem ser tomadas providências com a equipe do estudo investigativo para continuar o medicamento, se possível.
  • Para PVHA gravemente enfermos que necessitam de alimentação por sonda, alguns medicamentos ARV estão disponíveis em formulações líquidas e alguns, mas não todos, comprimidos podem ser esmagados.

Ao receber tratamento sob investigação ou off label para COVID-19:

  • Atualmente não há tratamento aprovado para o COVID-19. Vários medicamentos sob investigação e comercializados estão sendo avaliados em ensaios clínicos para tratar o COVID-19 ou também podem estar disponíveis via uso compassivo ou uso off label.
  • Para PVHA que recebem tratamento para COVID-19, os médicos devem avaliar o potencial de interações medicamentosas entre o tratamento com COVID-19 e a terapia ARV e outros medicamentos.
  • Quando disponíveis, os médicos podem considerar a inclusão de PVHA em um ensaio clínico que avalie a segurança e a eficácia do tratamento experimental para COVID-19. Pessoas vivendo com HIV e aids não devem ser excluídas desses estudos.
  • As PVHA podem precisar de serviço de assistência social.
  • Durante esta crise, o distanciamento e o isolamento social podem exacerbar problemas de saúde mental e uso de substâncias para algumas PVHA. As equipes de saúde devem avaliar e abordar esses problemas.

CRT-DST/AIDS – SP
Coordenação do Programa Estadual de IST/AIDS de São Paulo