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Reunião virtual do Mopaids

Solidariedade em tempos de pandemia, financiamento e controle social foram destaques em reunião online do Mopaids

Agência Aids
28/04/2020

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus agravou as condições de vida de muitas pessoas, principalmente das que já estavam em situação de extrema vulnerabilidade social, como é o caso da população de travestis e transexuais, profissionais do sexo, pessoas em situação de rua, usuários de drogas, pessoas vivendo com HIV/aids. Neste momento, todos precisam ser amparados por gestos de solidariedade. O problema é que a necessidade do isolamento social tem afetado inclusive quem trabalha com a missão de levar políticas públicas para locais em que o Estado é pouco presente, como as ONGs.

Incansável e na contramão da pandemia, a rede de solidariedade as pessoas vivendo com HIV/aids na cidade de São Paulo vem se fortalecendo dia após dia e continua atuante. O assunto foi pauta nesta terça-feira (28), na primeira reunião online do Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra Aids). “Sabemos da gravidade do novo coronavírus, mas precisamos continuar juntos, mesmo que virtualmente, para dar continuidade à política de aids na cidade e manter nosso trabalho fortalecido. As pessoas com aids não podem ficar para trás neste momento, as nossas pautas são urgentes”, disse o coordenador do Mopaids, Américo Nunes Neto.

Uma das ONGs que vem se dedicando ao acolhimento em tempos da Covid-19 é Instituto Vida Nova, que trabalha contra a aids na zona leste de São Paulo. “A orientação é clara: nada de intimidade, aperto de mão, beijo e abraço. Estamos trabalhando de casa, temos que manter distância, mas a distribuição de camisinhas continua. Atendemos dezenas de casas de prostituição e estes espaços estão abertos. Além disso, os usuários da ONG podem participar online das aulas de educação física. A nossa psicóloga está à disposição, já doamos cestas básicas para quem necessita e nossa equipe sempre online”, explicou o representante da instituição, Alexandre Rodrigues.

A ONG É de Lei também continua acolhendo seus usuários. “Atuamos no campo da redução de danos e fizemos parcerias para incluir na distribuição de produtos básico um kit de redução de danos. Nossa equipe está se revezando para montar kits de higiene para distribuir na Cracolândia, no Glicério e na região central”, contou Angélica.

O Projeto Bem-Me-Quer tem realizado oficinas e workshops online, além da entrega de cestas básicas, máscaras e produtos de higiene. Os representantes da Anima decidiram acolher individualmente cada um de seus alunos. No Centro de Referência da Diversidade, a missão é garantir a alimentação dos mais necessitados, eles já distribuíram centenas de cestas básicas, produtos de higiene e limpeza. No projeto Antônia, o foco é a prevenção das ISTs e da Covid-19 entre as mulheres que atuam como profissionais do sexo. No GIV (Grupo de Incentivo à Vida), o contato tem acontecido via whatsapp. O Instituto Barong decidiu ajudar as pessoas que vivem com HIV, que estão debilitadas e não podem retirar os antirretrovirais nos serviços de aids.

Tem ainda o pessoal que atua na construção de políticas públicas nos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde, como os ativistas Alisson Barreto e Patrícia Peres. Segundo Patrícia, o Conselho Municipal está bem atuante neste momento de pandemia e as reuniões acontecem online. “Há contratos milionários nesta nova reestruturação da saúde municipal, temos que ficar de olho para saber de onde eles vão tirar tanto dinheiro”, explicou.

Recursos

A questão de recursos financeiros é um dos assuntos que mais preocupa os ativistas. Segundo Américo, “a Covid-19 veio para nos mostrar o quanto estamos carentes de uma política efetiva de assistência social. É necessário ficarmos atentos e vigilantes nesta questão. Não sabemos qual será o cenário político nos próximos dias. A única certeza é de que muitos direitos humanos estão sendo violados. Por isso, precisamos atuar cada vez mais para o fortalecimento do SUS e do SUAS, na garantia da política de aids e na proteção das pessoas.”

Américo acredita que é necessário atuar junto aos governos para garantir a manutenção dos recursos específicos para a aids.

Política de aids na cidade

Os ativistas também quiseram saber como está a atuação do Programa Municipal de DST/Aids durante a quarentena. Como estão as ações? E a política de prevenção? As pessoas estão tendo acesso à PEP e a PrEP? Como está acontecendo a distribuição de antirretrovirais? O Mopaids decidiu que vai enviar uma carta ao Programa pedindo esclarecimentos.

Nas redes sociais oficiais do Programa é possível encontrar informações de que os pacientes podem retirar antirretrovirais para até 120 dias. Eles também informaram que a procura pela PEP diminuiu, mas a profilaxia continua disponível na rede. A informação é de que a PrEP está sendo distribuída em um quantitativo maior.

Quase 30 pessoas participaram da reunião online. Ainda não há data para o próximo encontro, mas todos saíram com o compromisso de manter cada vez mais ativa a rede de solidariedade em São Paulo.