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Vacinação contra hepatite B na América caiu mais de 12% durante pandemia

Muitos pais deixaram de levar seus filhos para vacinar, isso significa que mais de 32 mil bebês não estão protegidos contra hepatite B.

Correio Braziliense
02/08/2020

Em meio à pandemia da covid-19, muitos pais deixaram de levar seus bebês para vacinar, situação que têm preocupado as autoridades de saúde. De acordo com levantamento da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), ao comparar março de 2019 ao mesmo mês deste ano, a diminuição foi de 12% de recém-nascidos protegidos contra Hepatite B. No dia mundial dedicado ao combate às hepatites virais, comemorado nesta terça-feira (28/7), especialistas da entidade realizaram um debate com especialistas para discutir o tema e a gravidade da doença na região.

“Muitos pais ficam preocupados em comparecer aos postos, onde há riscos potenciais de contaminação pelo novo coronavírus. Comparando os índices de vacinação de um ano atrás a diminuição de aplicação das vacinas estão na casa de 12%, isso significa que mais de 32 mil bebês não estão vacinados contra hepatite B. Isso é extremamente preocupante”, alertou a consultora de imunização da Opas Alba Vilajeliu.

Alba disse, ainda, que o índice de crianças sem receber a imunização atualizado com os meses de abril e maio deve chegar a casa dos 20% e que, por isso, é necessário pensar em estratégias para afastar o receio dos responsáveis diante de um cenário pandêmico. “Temos que achar onde estão essas crianças e colocar em prática outras alternativas, protegendo os agentes públicos de saúde, com equipamentos de proteção individual, destinando equipes próprias para aplicação de vacina e que não fazem parte do enfrentamento a covid-19.”

A especialista também levantou exemplos de vacinações dentro de escolas, por meio de drive-thru ou em ambientes abertos, com o objetivo de promover um distanciamento das unidades de saúde, onde a possibilidade de circulação do novo coronavírus é maior.

Nas Américas, 3,9 milhões de pessoas vivem com hepatite B crônica e 5,6 milhões vivem com hepatite C. A região como um todo conseguiu eliminar a hepatite B em relação à transmissão de mãe para filho e na primeira infância por meio da vacinação e 17 países da região já conseguiram eliminar a transmissão vertical. O objetivo estipulado pela Opas é acabar com as hepatites virais e outras 30 doenças infecciosas até 2030.

“É uma oportunidade para relembrar a importância de um bom acesso a tratamentos e prevenção de doenças de grande magnitude na saúde pública em razão do grande números de infectados, se destaca altas taxas de mortalidade, sobretudo devido aos anos que se passam de forma silenciosa e, depois, emergem, de maneira inesperada com importantes síndromes, como cirrose e câncer”, destacou Massimo Ghidinelli, o chefe da Unidade de HIV, Hepatites, Tuberculose e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OPAS.