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Para ativistas, omissão de números da Covid na OMS mostra que governo brasileiro continua negando pandemia

Um dos países mais afetados pela pandemia, o Brasil omitiu a dimensão da crise e não revelou o número de mortes e nem o número de casos da covid-19 a governos estrangeiros e à OMS.

Agência Aids
13/08/2020

Um dos países mais afetados pela pandemia, o Brasil omitiu a dimensão da crise e apenas apresentou dados positivos em uma reunião internacional, onde nem o número de mortes e nem o número de casos da covid-19 foram revelados a governos estrangeiros e à Organização Mundial da Saúde (OMS)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, apresentou hoje à OMS as ações adotadas pelo governo brasileiro no combate à pandemia. Ele, porém, se limitou a falar do total de pessoas recuperadas. A apresentação ocorreu durante a reunião semanal que a agência realiza com governos de todo o mundo.

Para ativistas, o governo, mais uma vez, nega a gravidade pandemia. Confira:

Rodrigo Pinheiro,
presidente do Fórum de ONGs Aids de São Paulo (Foaesp)
: “A proposta desse governo é negar a realidade da pandemia que está acontecendo no Brasil. O discurso mostra mais uma vez que nós estamos sem comando tanto na área da presidência da república, quanto no Ministério da Saúde pra gente responder a essa grave crise de saúde pública. O Brasil está enfrentando uma das piores respostas mundiais e o governo ainda se nega a reconhecer e fazer esse enfrentamento de frente. Estamos retrocedendo em todas as áreas, principalmente na questão da vigilância epidemiológica onde o Brasil sempre foi uma referência. É uma vergonha para o Brasil não reconhecer esse problema de saúde pública.”

Jô Meneses,
coordenadora de Programas Institucionais da ONG Gestos
: “Não falar do número de mortes e de como a epidemia tem vitimado as pessoas no Brasil é um tragetória lógica de um governo que tem negado a pandemia e a gravidade que ela traz principalmente para as pessoas que já viviam em situação de vulnerabilidade social. É também não querer dar visibilidade ao quanto o SUS tem se esforçado, mesmo com todos os golpes que têm sofrido nesses últimos quatro anos. Então, esse discurso é uma consequência de quem usou o negacionismo o tempo inteiro para não ter que se responsabilizar por medidas sanitárias, por uma efetiva proteção da população. Então é tudo dentro dessa lógica deste o início, de desconsiderar a ciência e desconsiderar o que a própria OMS está alertando ao mundo.”

Carolina Iara de Oliveira,
Loka de Efavirenz
: “Há quatro meses sem ministro da saúde oficial, sem ninguém da área técnica para coordenar as ações contra a pandemia, o ministro interino general Pazuello omite 100 mil mortes numa tentativa de encobrir o genocídio que está sendo cometido pelo governo brasileiro ao não coordenar ações eficazes e unificadas contra o coronavirus, ao espalhar fale News e negacionismo e ao pressionar estados e municípios durante todo esse período para a reabertura no pico da pandemia. A ação do ministro da saúde foi criminosa, foi leviana, assim como tem sido toda a política (ou necropolitica) do governo Bolsonaro com relação à saúde do povo. E esse genocídio é também étnico, pois mais da metade das mortes registradas são de pretos e pardos.”

Veriano Terto Jr.,
vice-presidente da Observatório Nacional de Políticas de Aids (ABIA)
: “O silêncio do ministro interino em relação aos 100 mil mortos pela Covid no Brasil reflete o silêncio de outros setores da sociedade brasileira também tem expressado em relação a esse número. Acho que ele só omite porque há uma altorização no país para que esse silencio possa ser expressado principalmente em uma reunião internacional de alto nível como a da OMS. Ela reflete a maneira como o governo brasileiro trata as pessoas que morreram, suas famílias, simplesmente com palavras de lamentação, mas sem nenhum reconhecimento de fato. Sem este recohecimento é difícil conseguir recursos, ajuda para as famílias enlutadas neste momento e que continuam sem nenhuma apoio do governo. O mais triste é ver como a sociedade brasileira ou uma grande parte dela está anestesiada e não consegue reagir ao desrespeito com que tem sido tratada a pandemia da Covid.”

Moysés Toniolo,
Rede Nacional de Pessoas que vivem com HIV/Aids
: “Nós que estamos diariamente defendendo a vida enquanto Controle Social do SUS, buscando sinalizar medidas e orientações a este governo da necropolitica, não nos espantamos mais com este tipo de atitude, posto que a nova política instituída é a “Lei do Avestruz” – o governo enfia a cabeça num buraco (ignorância) e finge que não existem problemas graves”, ocorrendo na vida da população brasileira e no mundo. Com a tática de forçar uma invasão de postos e cargos do Ministério da Saúde através de prepostos militares, este governo faz o que qualquer estrategista militar faria – busca moldar a a realidade a sua volta criando mecanismos de informação e contra-informação, de forma a instituir uma nova percepção sobre a realidade existente – a isto chamam de “Inteligência”, posto que dominam e se apropriam dos principais sistemas de informação, e usam este poder para realizar seus propósitos. No governo Bolsonaro, e com o atual Ministro Interino da área da Saúde e sua equipe militar (muitos nao se afastaram da função e prerrogativa militar, embora devessem), isto se mostra definitivamente pelo “apagão de dados” e informações que deveriam ser de “Relevância Pública”. Assim, mascaram e induzem a informação a se tornar algo de difícil compreensão ou então usam apenas os dados que lhes são oportunos, buscando ibstituir uma falsa percepção de normalidade e resolução dos graves problemas existentes. Esta triste encenação de um Ministro Interino da Saúde – mas que não é da área, chegar na ONU e apenas citar dados das pessoas “recuperadas” (mas que poderão sofrer sequelas, ainda desconhecidas) e omitir deliberadamente sobre mais de 100 mortes ocasionadas pela omissão, inércia ou inépcia governamental, beira a tragédia mais cruel e sádica que se poderia admitir. Fica nossa indignação e perplexidade de, em pleno século XXI, vermos os avanços e evidências científicas serem deixadas de lado pelo negacionismo fundamentalista e terraplanista deste governo, enquanto o Brasil segue com dados crescentes de infecções e óbitos que não cessam de acontecer diariamente… Perdeu-se todo e qualquer escrúpulo quanto a opinião pública da população, e os mandatários agora vivem apenas de ilusão informativa e fakenews produzidas para esconder sua inabilidade em governar.”