Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids call [11] 98212-6950 email mopaids@gmail.com

Cientistas captam HIV entrando no núcleo da célula em registro inédito

Saber como o genoma viral do HIV chega ao núcleo da célula será fundamental em futuras abordagens terapêuticas.

Revista Galileu
19/02/2021

Pesquisadores das instituições alemãs EMBL Heidelberg e Centro de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário de Heidelberg conseguiram registrar, pela primeira vez, imagens do vírus HIV entrando no núcleo de uma célula infectada.

Divulgado nesta quinta-feira (18), o estudo mostra que as cascas externas do vírus (os capsídeos) atravessam intactas os poros nucleares das células, só se separando dentro do núcleo – onde liberam sua informação genética. Até agora, cientistas presumiam que essas cápsulas precisavam se desmontar em pedaços menores para que conseguissem penetrar nos linfócitos T, as células mais atingidos pelo vírus.

Imagem do vírus HIV entrando no núcleo de uma célula infectada
Já dentro da célula, a cápsula da proteína do HIV passa como um todo por um poro da membrana nuclear, onde se desintegra e libera seu material genético no núcleo da celula.

A descoberta ajuda a compreender melhor o mecanismo pelo qual o material genético do HIV é integrado ao genoma da célula infectada, o que pode auxiliar na otimização de tratamentos contra a aids, doença que atinge cerca de 37 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O material genético do HIV é cercado por uma cápsula de proteína em forma de cone – o “capsídeo”. Estudos anteriores já mostravam que essa estrutura atravessa a membrana celular durante a infecção, mas os cientistas ainda tinham dúvidas sobre como o material genético do vírus passa do capsídeo para o núcleo da célula – região onde acontece a replicação viral.

Os capsídeos em forma de cone - contendo o material genético do HIV - entram no canal central do poro nuclear.

A combinação entre técnicas de imagem de alta resolução, como a microscopia de luz e eletrônica, permitiu que o grupo de pesquisadores obtivesse imagens em 3D das estruturas moleculares de células infectadas pelo HIV-1, tipo mais comum do vírus e foco da análise alemã.

O estudo

O estudo desses registros trouxe mais dados para sanar a dúvida que pairava: “Até agora, presumia-se que o capsídeo não passava pelos poros”, diz Hans-Georg Kräusslich, médico e diretor do Centro de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário de Heidelberg. “Mas saber como o genoma viral chega ao núcleo da célula é fundamental para sua reprodução. Nossos resultados, portanto, apoiam a busca de novos alvos para futuras abordagens terapêuticas”, acrescenta, em nota.

"Saber como o genoma viral chega ao núcleo da célula é fundamental para sua reprodução. Nossos resultados, portanto, apoiam a busca de novos alvos para futuras abordagens terapêuticas"
Hans-Georg Kräusslich
Médico e Diretor do CDI do Hospital Universitário de Heidelberg

“Nossos dados visualizam diretamente uma etapa-chave na replicação do HIV-1 e aumentam nossa compreensão mecanicista do ciclo de vida viral”, escreveram os pesquisadores na conclusão do artigo. Para Martin Beck, um dos líderes da EMBL Heidelberg, a análise também “ajudou a encaixar outra peça do quebra-cabeça da infecção pelo HIV”.