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Qualidade de vida de pessoas com HIV passa por luta contra pobreza e discriminação

Conviver com o estigma e com os efeitos adversos dos medicamentos, causam repercussões negativas na qualidade de vida, além de favorecer o estado de vulnerabilidade social, econômica, física e emocional.

Agência Aids
06/04/2021

No dia 07 de abril é comemorado o Dia Mundial da Saúde, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a população sobre a importância da preservação e promoção da saúde para uma melhor qualidade de vida.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Envolve o bem estar espiritual, físico, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos e, também, saúde, educação, habitação saneamento básico e outras circunstâncias da vida.

Entre as principais formas de se manter uma boa qualidade de vida para pessoas com HIV inclui medidas como:

1 – Uma alimentação bem equilibrada, com frutas, vegetais, grãos inteiros, alimentos ricos em proteínas e gorduras saudáveis. Além disso, é importante escolher alimentos inteiros não processados. Uma refeição bem balanceada ajudará a receber todos os nutrientes essenciais para o sistema imunológico.

2 – Dê à sua saúde mental a atenção necessária. Ao tentar enfocar os aspectos físicos de uma vida saudável, a manutenção mental geralmente fica em segundo plano. No entanto, uma boa saúde mental é igualmente importante para o seu bem-estar geral. Não se esqueça de que sua saúde mental é a base de sua saúde geral. É muito importante gerenciar e avaliar sua saúde emocional diariamente.

3 – Estudos comprovaram ainda os benefícios do exercício regular – até três vezes por semana pode ajudar a melhorar a longevidade e a saúde geral. A American Heart Association recomenda 150 minutos de exercício por semana ou uma hora, pelo menos, três vezes por semana.

Qualidade de vida de pessoas com HIV

Pessoas de 20 anos que começaram o tratamento antirretroviral em 2010 têm uma expectativa de vida 10 anos mais alta que a de jovens da mesma idade submetidos ao tratamento em 1996. É o que mostrou um estudo da conceituada revista científica, The Lancet.

Cientistas já são unânimes em dizer que começar o tratamento precoce é crucial para conseguir atingir uma qualidade de vida melhor e por mais tempo. No entanto, essa medida esbarra no alto número de pessoas que desconhecem sua sorologia.

Segundo um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a qualidade de vida está relacionada com a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida, em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações, assim como o contexto da cultura e do sistema de valores nos quais ele vive.

Além disso, o fato de uma pessoa estar infectada com uma doença crônica e incurável, e ainda conviver com o estigma e com os efeitos adversos que a terapia medicamentosa proporciona, especialmente no primeiro ano de tratamento, causam repercussões negativas para sua qualidade de vida, além de favorecer o estado de vulnerabilidade social, econômica, física e emocional desse indivíduo. A partir da percepção desses indivíduos e frente aos desafios vivenciados na prática dos serviços de saúde, evidencia-se a lacuna pertinente a estratégias efetivas de promoção da qualidade de vida desenvolvidas pelos enfermeiros da Atenção Básica.

Neste mesmo estudo, ficou evidente que a baixa escolaridade, é um fator que impacta negativamente na qualidade de vida, por influenciar no nível de conhecimento e dificultar acesso a melhores condições de trabalho e saúde. Além disso, quando combinada com a baixa qualidade dos serviços de saúde, contribuem para aumentar a condição de vulnerabilidade desses indivíduos.

A pesquisa ainda observou que viver com o HIV/aids repercute em vários domínios da qualidade de vida, requerendo para a sua avaliação e intervenção pelo profissional de saúde, melhor conhecimento e compreensão das diferentes variáveis que impactam negativamente após o diagnóstico.

Embora, os participantes tenham relatado o não reconhecimento de alterações na rotina com a doença, observou-se que para manutenção das relações sociais, o sigilo quanto ao diagnóstico, se faz necessário. Portanto, o preconceito e o estigma associados a aids são dificuldades frequentemente encontradas na tentativa de manter a vida normal. Além do preconceito, o sigilo também pode estar relacionado à associação que o próprio indivíduo faz do diagnóstico com a condição de “doença terminal” ou como um potencial transmissor de “sentença de morte”.

Diante disso, os pesquisadores defenderam a importância da rede de apoio multiprofissional a esses indivíduos, de forma a reconhecer as necessidades que emergem do diagnóstico e que levam ao estabelecimento de ações de enfrentamento, considerando tratar-se de uma doença crônica que acarreta inúmeras consequências biopsicossociais.

Por sua vez, a sexualidade é um aspecto da vida bastante comprometido pelo impacto do diagnóstico e das consequências emocionais e sociais. Embora, a maioria dos indivíduos que vivem com HIV/aids, enfrentem o medo da transmissão para o parceiro e dificuldade para falar sobre sexualidade com os profissionais de saúde, em alguns casos observou-se a manutenção de comportamentos de risco e a negação frente a doença.

Diante disso, a equipe de enfermagem desempenha papel importante na equipe de saúde, sendo necessário desenvolver ações educativas e intervenções que promovam a saúde e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV/aids incluindo os parceiros. Outro ponto que também deve ser considerado nas ações e intervenções educativas na qualidade de vida dos portadores de HIV/aids é a prática da atividade física, que quando supervisionada, pode estimular o sistema imunológico, aumentar a disposição, à autoestima, o alívio do estresse, a melhora da depressão, controle das comorbidades, entre outros benefícios para a saúde.

Já a respeito das relações sexuais, mantê-las pode ser um desafio para esta população após o diagnóstico. Isto pode ocorrer por motivos limitantes que o próprio tratamento impõe ou até pela forma como vivenciam a doença, acompanhados de sentimentos como a insegurança, medo, dificuldades de estabelecer vínculos afetivos e interferências nos já existentes, alterando também o padrão de vida sexual.