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Anvisa aprova medicamento com nova combinação para o tratamento de HIV no Brasil

Dovato é um comprimido de dose única diária, composto por duas medicações (Dolutegravir 50 mg e Lamivudina 300 mg), para o tratamento de HIV em adultos e adolescentes.

Agência Aids
25/11/2021

Um novo medicamento, com uma combinação inédita, está aprovado no país para o tratamento de pessoas que vivem com HIV. Recentemente, a ANVISA autorizou o registro de Dovato, um medicamento de regime completo composto por duas medicações (Dolutegravir 50 mg e Lamivudina 300 mg) em dose única diária, ou seja, em um único comprimido, para o tratamento de HIV em adultos e adolescentes acima de 12 anos de idade, com peso mínimo de 40 kg.

Desenvolvido pela GSK/ViiV Healthcare, Dovato reduz a quantidade de antirretrovirais usados pelos pacientes por possuir apenas duas medicações, enquanto ainda mantém a eficácia e a alta barreira à resistência de regimes tradicionais com mais medicamentos.

“Hoje, muitos tratamentos para o HIV de um único comprimido têm pelo menos 3 medicamentos diferentes combinados. Já o Dovato fornece resultados expressivos com apenas dois medicamentos em um comprimido, demonstrando através de estudos, ser igualmente tão eficaz quanto tratamentos para o HIV com 3 ou 4 medicamentos. Isso significa: manutenção da eficácia, com menor utilização de medicamentos e menor potencial de toxicidade”, explica dr. Rafael Maciel, gerente médico da GSK/ViiV Healthcare.

Um recente estudo divulgado na 18ª Conferência Europeia de Aids (EACS 2021), avaliou a eficácia, segurança e tolerabilidade do medicamento em pacientes que receberam Dovato conforme a prescrição de seus médicos. Chamado de URBAN, o estudo mostrou que a combinação de Dolutegravir e Lamivudina teve bons resultados no controle do vírus do HIV em um ano, sem casos de desenvolvimento de resistência. Em relação à segurança, os riscos de efeitos adversos graves e descontinuações foram baixos.

Para Vani Vannappagari, Chefe Global de Epidemiologia e Evidência do Mundo Real da GSK/ViiV Healthcare, esses dados fortalecem a apresentação de Dovato para pessoas que vivem com HIV. “A GSK/ViiV Healthcare se dedica ao desenvolvimento de medicamentos que atendam às necessidades das pessoas vivendo com HIV e os achados apresentados neste estudo destacam o importante papel do regime de duas drogas baseados em Dolutegravir como viável e duradouro, demonstrado como opções de tratamento em ensaios clínicos e na prática clínica do mundo real, tanto para aquelas pessoas virgens de tratamento, tanto para aqueles que já estão virologicamente suprimidos.”

Dovato é um medicamento completo, de dose única diária, podendo ser tomado até mesmo em jejum, para o tratamento de HIV em adultos e adolescentes acima de 12 anos de idade, com peso mínimo de 40 kg, sem histórico de resistência ao Dolutegravir ou à Lamivudina. É composto por duas moléculas. O Dolutegravir 50 mg atua ao impedir que o DNA viral se integre ao material genético das células humanas. A Lamivudina 300 mg age interferindo na conversão do RNA viral em DNA, impedindo assim a multiplicação do vírus. 2

A aprovação do Dovato é apoiada pelos estudos globais de referência GEMINI 1 e 2 que incluíram mais de 1.400 adultos vivendo com HIV, e pelos resultados do estudo TANGO, apresentados na Conferência Internacional da Sociedade de Aids sobre Ciência do HIV 2021 (IAS 2021).

Aproximadamente metade das pessoas que vivem com HIV e fazem uso de terapia antirretroviral utilizam Dolutegravir em seus tratamentos.

O dolutegravir 50mg foi introduzido no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2016 e, atualmente, é distribuído a mais de 400 mil pacientes, o que representa cerca de metade das pessoas em tratamento contra o HIV atendidas pelo SUS. Segundo dados atuais do Ministério da Saúde, aproximadamente 936 mil pessoas vivem com HIV no Brasil, sendo que 88% estão diagnosticadas, destas 71% encontram-se em tratamento com antirretroviral e destas 63% estão com supressão viral.

Para o dr. Rafael, é muito importante que as pessoas diagnosticadas com HIV iniciem o tratamento o mais rápido possível e façam o correto uso de antirretrovirais, como forma de garantir o controle da infecção e prevenir a evolução para a aids. “A boa adesão à terapia antirretroviral traz grandes benefícios individuais, entre outros fatores, a ampliação da expectativa de vida e o não desenvolvimento de doenças oportunistas.”