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ONG Bem-Me-Quer faz 18 anos de acolhimento e assistência às pessoas com HIV, em Perus

Nestes 18 anos, a ONG já cadastrou mais de mil pessoas e atendeu indiretamente outras 16 mil. Durante as ações, quase 140 mil insumos de prevenção foram distribuídos na comunidade e mais de 500 toneladas de alimentos não perecíveis.

Agência Aids
05/12/2014

O bairro de Perus, na zona noroeste de São Paulo, está em festa. O Projeto Bem-Me-Quer atingiu a maioridade nesta semana. Há 18 anos, a irmã Helena -- missionária irlandesa da Congregação das Irmãs de São Luis – mobilizou o bairro e fundou em 1º de Dezembro, Dia Mundial de Luta Contra Aids, essa ONG que acolhe pessoas vivendo com HIV/aids e familiares em situação de pobreza.

“A irmã Helena nos deixou em 2011, mas esse projeto é movido à vida. Estamos aqui há 18 anos, devolvemos sonhos e, enquanto existir necessitados, vamos lutar, o trabalho continua”, disse a presidente da instituição, Maria de Lourdes Romualdo, na abertura da comemoração. O evento reuniu, na sede da instituição, nesta manhã (5) usuários e parceiros deste trabalho.

“São 18 anos construindo histórias e empoderando pessoas. A luta é de todos nós. Nossa esperança é a cura da aids, mas, enquanto não vem, temos de nos unir para apoiar a comunidade”, disse Américo Nunes Neto, do Movimento Paulistano de Luta Contra Aids (Mopaids).

Assim como Américo, outros amigos de luta também fizeram questão de homenagear a instituição, como os ativistas Lino, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV, e Lorival Alves, do Fórum de ONGs/Aids de São Paulo. Representando os programas Municipal e Estadual de DST/Aids, Celso Ricardo lembrou que esse trabalho é desenvolvido num local vulnerável. “Estamos no meio da periferia e as informações sobre a doença devem estar aqui também, na ponta.”

O padre Conrado, que está envolvido no projeto desde o começo, lembrou o quanto ele ainda é importante para a comunidade. “Depois que a irmã Helena morreu muitos pensaram que o trabalho ia acabar, e ele seguiu vivo, principalmente neste momento em que a aids volta a crescer entre os mais jovens. Essa é uma doença cheia de preconceitos e nossa missão é levar esperança.”

Aos militantes, Roberto Pereira (Betinho) e Margarete Preto, sobrou a missão de apresentar o que a ONG desenvolveu nestes 18 anos. “Nosso carro chefe sempre foi as visitas domiciliares, vamos às casas ou em hospitais levar uma palavra”, disse Betinho. Além disso, a ONG já ajudou a comunidade com reformas de moradias e cursos de qualificação. Hoje, oferece acupuntura, ioga, workshops, cursos de artesanato, cabeleireiro, panificadora. Há também trabalhos extra muro. Voluntários ou trabalhadores da instituição vão às escolas, às feiras e falam sobre prevenção. Um grupo de jovens vivendo com HIV completa o cardápio de projetos da ONG.

Alguns números

Nestes 18 anos, a ONG já cadastrou mais de mil pessoas e atendeu indiretamente outras 16 mil. Durante as ações, quase 140 mil insumos de prevenção foram distribuídos na comunidade e mais de 500 toneladas de alimentos não perecíveis. As crianças já receberam quase 5 mil brinquedos e o livro de presença dos usuários ultrapassou 93 mil assinaturas.

“Fazemos muitas coisas aqui, mas precisamos militar também politicamente para fortalecer as políticas públicas, por isso, sempre estamos nas reuniões do Fórum de ONGs/Aids e em outros espaços defendendo nossas ideias”, comentou Betinho, responsável pela gestão de projetos.
Desde 2007, a ONG funciona em sede própria, na Rua Dr. João Rodrigues de Abreu, 352. “Para chegar a esses números sempre contamos com muito apoio. Temos sempre de agradecer aos nossos voluntários, as empresas parceiras, a comunidade católica da região, aos governos e a todos que sempre nos ajudam na luta por um mundo melhor”, agradece Betinho.

Campanha

Antes de servir um almoço de confraternização, a ONG aproveitou a celebração para lançar o segundo vídeo da campanha “Um Click para Saúde”. O projeto tem como objetivo disseminar informações sobre novas tecnologias de prevenção às DST/aids por meio das mídias e de redes sociais disponíveis na web de forma a minimizar os riscos de transmissão de doenças.

O primeiro vídeo, direcionado ao público jovem, fala sobre a importância do uso do preservativo. Já o segundo, traz um conceito mais educativo sobre a profilaxia pós-exposição (PEP) ou prevenção medicamentosa. É uma forma de prevenção da infecção pelo HIV, usando os medicamentos que fazem parte do coquetel antirretroviral. Essa opção é indicada para pessoas que possam ter entrado em contato com o vírus recentemente, pelo sexo sem camisinha. Esses medicamentos precisam ser tomados por 28 dias, sem parar, para impedir a infecção pelo vírus, sempre com orientação médica. Essa forma de prevenção já é usada com sucesso nos casos de violência sexual e de profissionais de saúde que se acidentam com agulhas e outros objetos cortantes contaminados.

Ao todo serão lançados cinco vídeos. Os outros três serão direcionados para o combate à aids entre mulheres, homens heterossexuais e terceira idade.