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Relatório da OMS diz que nove milhões de pessoas desenvolveram tuberculose em 2013. Destas, mais de um milhão vivem com HIV

A OMS insiste na necessidade de acelerar os esforços para alcançar os objetivos do seu plano batizado de Fim da Tuberculose 2006-2015.

Portal Terra e Exame - via Agência Aids
23/10/2014

Aproximadamente, nove milhões de pessoas desenvolveram tuberculose em 2013, 500 mil casos a mais do que o estimado previamente, revela relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado nesta quarta-feira (22). De acordo com o texto, a melhora nas técnicas de detecção, a coleta e a divulgação de informações proporcionaram a descoberta desses casos extras. Apesar disso, apenas seis milhões foram realmente diagnosticados, ou seja, três milhões de pessoas estão fora do sistema, e, portanto, não têm acesso a tratamento. Foi o que afirmou em entrevista coletiva Mario Raviglione, diretor do Programa Mundial sobre Tuberculose da OMS..

Ao todo, 85% dos que desenvolvem tuberculose no mundo se curaram, por isso o número acumulado de pacientes não difere enormemente dos novos infectados. Segundo o estudo, o total acumulado de pessoas que tiveram tuberculose em 2013 se elevou a 11 milhões. Estima-se que, desde o ano 2000, 37 milhões de vidas foram salvas graças a um diagnóstico precoce e a um tratamento efetivo.

No entanto, a OMS lamenta que, todos os anos pessoas ainda morram de uma doença curável por falta de diagnóstico. Dos nove milhões de pessoas que tiveram a doença, 1,5 milhão delas morreram.

Ainda assim, o relatório destaca que a taxa de letalidade está diminuindo e, de fato, caiu 45% desde 1990. Porém, a tuberculose continua sendo a segunda doença mais fatal causada por um só agente infeccioso, atrás apenas da aids.

Um dos principais problemas é a falta de financiamento. De acordo com a OMS, são necessários US$ 8 bilhões para a luta mundial contra a doença, mas só há US$ 6 bilhões.

Tuberculose e aids

De 1,5 milhão de mortes por tuberculose em 2013, 360 mil pessoas também estavam infectadas com HIV. Dos nove milhões de pessoas que desenvolveram a doença 1,1 milhão (13%) tinha HIV e quatro de cada cinco casos ocorrem na África.

Apesar de este número revelar que as mortes relacionadas com ambas as doenças reduziram um terço na última década (de 540 mil em 2004 a 360 mil atuais), a OMS ressalta que são necessárias mais medidas de prevenção e mais disponibilidade de antirretrovirais.

Sobre a tuberculose multirresistente (TBMR), a OMS estima que em 2013 foram 480 mil casos, o que representa 3,5% das pessoas que desenvolveram a doença. Desses, 136 mil casos foram diagnosticados, 97 mil , tratados e 39 mil pacientes não receberam tratamento. O relatório destaca que as regiões geográficas mais afetadas pela TBMR são a Europa Oriental e a Ásia Central.

A OMS insiste na necessidade de acelerar os esforços para alcançar os objetivos do seu plano batizado de Fim da Tuberculose 2006-2015. Para isso, estabeleceu uma meta de reduzir pela metade a taxa de mortalidade e a de prevalência da doença em 2015.

As pesquisas também continuam para o desenvolvimento de novas vacinas, mesmo que "ainda não exista uma vacina eficaz na prevenção da tuberculose em adultos".
A única vacina existente é a BCG (desenvolvida em 1921 e preparado a partir do Bacillus Calmette Guerin).Ela é recomendada pela OMS em crianças, uma vez que protege contra as formas graves extra-pulmonares da tuberculose em crianças. No entanto, segundo a OMS, ela "não protege de forma confiável" contra a tuberculose pulmonar, "que representa o maior número de casos no mundo."