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Foaesp lança plataforma on-line com avaliações dos usuários sobre serviços de DST/aids em São Paulo

Lançado em parceria com o projeto Bem-Me-Quer, a plataforma traz avaliações das pessoas vivendo com HIV/aids, usuárias dos serviços público de saúde, sobre a qualidade do atendimento em DST/aids na cidade de São Paulo.

Agência Aids
03/08/2016

O Foaesp (Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo), em parceria com o projeto Bem-Me-Quer, lançou, no final de julho, o mapa geográfico do projeto Cartografia Social. Nesta plataforma on-line é possível encontrar avaliações das pessoas vivendo com HIV/aids, usuárias dos serviços público de saúde, sobre a qualidade do atendimento em DST/aids na cidade de São Paulo. Espécie de desenhos da realidade vivida, essa cartografia tem por objetivo detectar possíveis violações de direitos nos postos de saúde e, assim, saber quais são os impactos na vida dos soropositivos.

A ferramenta faz o georreferenciamento e é capaz de amplificar os relatos das pessoas vivendo com HIV atendidas nas unidades. O acesso é público e pode ser visualizado por quem desejar, como as ONGs e os gestores.

Há nove meses, o Projeto Bem-Me-Quer, que atua contra a aids na região de Perus, zona norte de São Paulo, tem reunido em média 40 pessoas vivendo com HIV para colher os relatos sobre a vivência destas pessoas nos serviços de aids em que se tratam.

Segundo o supervisor técnico do projeto, o ativista Betinho Pereira, já é possível encontrar no mapa queixas e elogios sobre os serviços de aids na região central de São Paulo, norte e centro-oeste. "São pessoas bem simples que têm feito as avaliações. Acreditamos que, por meio da cartografia social, é possível que os serviços de saúde e as coordenadorias regionais de saúde identifiquem os problemas, os desafios e as oportunidades de oferecer ao cidadão um serviço de qualidade a partir de relatos simples e lúdicos.”

Para o ativista, é importante que as coordenadorias de saúde e os serviços que atendem soropositivos tenham um olhar especial para essa ferramenta. "Os serviços terão a oportunidade de melhorar o atendimento a partir do que dizem os usuários."

O sociólogo Alexandre Viola, do Bem-Me-Quer, comemorou o lançamento da ferramenta. "Estamos instrumentalizando o controle social, as pessoas contribuem do jeito que se sentem bem, seja por desenhos, relatos, textos...", contou Alexandre. "Essa ferramenta nunca ficará pronta, pode ser atualizada e aperfeiçoada a qualquer momento, até mesmo depois que chegar ao fim o projeto.”

Alexandre contou ainda que a ONG tem oferecido aos usuários do projeto oficinas temáticas sobre políticas públicas. "Já falamos sobre transporte público, serviços de saúde, racismo, homofobia, direitos humanos, SUS (Sistema Único de Saúde)... A ideia é empoderar estas pessoas para que elas reivindiquem pelos seus direitos."

"Estamos entusiasmados com essa tecnologia que possibilita o controle social, principalmente por estar mais perto das percepções daqueles que utilizam os serviços públicos de saúde. Pretendemos ampliar o projeto no estado", contou Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp.

Neste momento, a ferramenta está sendo desenvolvida em parceria com as ONGs que atuam na região norte, no centro e na região oeste da capital, como a Alivi, o Gapa, o É de Lei, a Ânima e o Centro de Referência da Diversidade. O projeto terá duração de dois anos e no próximo ano, será a vez do GIV (Grupo de Incentivo à Vida) estar à frente do trabalho junto ao Foaesp.

Confira a seguir alguns comentários já registrados na plataforma:

CTA/SAE Santana

Usuário:"No caso de um tratamento mas sério, só tem o básico. A Dra. tem cuidado e atenção com o paciente e a Dra. dentista é de uma atenção e compreensão muito legal."

Usuária: "meu médico é bem legal."

Casa da Aids

Usuário:"com a mudança de endereço, foi retirada consultas extras com infectologistas, e houve desativação do Hospital Dia. Faltam remédios paliativos e exames demorados."

SAE Lapa

Usuário:"Atendimento ótimo. A doutora é uma médica muito boa, encaminha para outros especialistas."

Usuária: "CRT Aids Lapa trata bem os usuários, só que demora 1mês e meio para receber o exame em caso de emergência, nem pensa. Só o Pronto Socorro, muito demorado 2 horas.

Usuário: "não temos acesso a uma alimentação sudável."

Usuária:"estou esperando chegar uma injeção, faz mais de seis meses, pois a carga viral é muito alta, a médica falou que já foi comprado e ainda não chegou."

Usuária:" Espaço acolhedor, nunca faltou medicamento, orientação exemplar."

Usuária:"quando precisei com urgência, passei constrangimento."

Usuária:"equipamento odontológico pegou fogo e não tem data e ano para conserto."

Usuário:" tempo para marcação de uma consulta, uma semana."

Centro de Referência em DST/Aids Nossa Senhora do Ó

Descrição dos usuários: mal atendimento por parte dos enfermeiros;mal atendimento na farmácia; demora atendimento dos médicos; falta de remédios; não está tendo acesso ao profissional dentista; novo sistema de senha fez com que o usuário demorasse mais a pegar seu medicamento;não tem bebedouro;

Usuário: "Dão senha para pegar o medicamento, e ficamos horas esperando, aguardando a boa vontade do profissional."

A usuária procurou a enfermaria para relatar o desafio e teve a resposta de um profissional que pode piorar. Queda na qualidade atendimento nos últimos anos.

Usuário relata: "comecei meu tratamento em 1997, eu e minha filha. O Atendimento no Itaberaba era excelente, médico e pediatra.Enfermeiros que atendiam as pessoas com atenção e respeito. Mas de uns anos pra cá mudou muito.Falta de atendimento, medicamentos e respeito com o ser humano."
Usuário diz: "coisa boa, de 15 em 15 dias tem reunião do chá positivo. Muito bom , tem festa do aniversariante do mês."

Usuários relatam: "não conseguimos ter uma alimentação saudável, junto ao tratamento. Não é só remédio que temos que ter."

Usuário:" O doutor tem cuidado e atenção." Usuário: " Eu nunca recebi discriminação nenhuma. Sempre fui bem atendido e não tenho nada a reclamar. Os funcionários comigo sempre me trataram bem. A melhoria que poderia ser feita tirar as senhas para pegar os remédios, tá demorando demais".