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Ativistas têm aula sobre DSTs na Câmara Municipal de São Paulo

Médico ginecologista Valdir Pinto, do Programa Municipal de DST/Aids e a infectologista Joselita Caraciolo, foram responsáveis pela Oficina de DST, uma iniciativa do Programa de Aids de São Paulo em parceria com o Mopaids

Agência Aids
22/08/2016

Como identificar uma IST ou DST (infecção sexualmente transmissível ou doença sexualmente transmissível)? Há cura? Tratamento? Quais são os sintomas? O SUS (Sistema Único de Saúde) está pronto para tratar esses males? A camisinha previne qualquer tipo deles?

Essas e outras perguntas foram respondidas nesta segunda-feira (22) pelo médico ginecologista Valdir Pinto, do Programa Municipal de DST/Aids e pela infectologista Joselita Caraciolo, na Câmara Municipal de São Paulo. Os dois foram responsáveis pela Oficina de DST, uma iniciativa do Programa de Aids de São Paulo em parceria com o Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids). O evento, destinado às ONGs/aids da capital, teve por objetivo compartilhar com as organizações da sociedade civil conhecimentos sobre DSTs.



Vírus e bactérias

Segundo explicou Valdir, as doenças sexualmente transmissíveis, como o próprio nome diz, são transmitidas pelo sexo desprotegido. Em alguns casos, como o do HIV, podem também ser transmitidas de mãe para filho, durante a gravidez ou parto, através do compartilhamento de seringas ou por transfusão de sangue infectado.

"Os sintomas são variados, assim como seus agentes causadores, que podem ser vírus, fungos ou bactérias. O mais importante é saber que tudo que é vírus, como herpes, HIV, HPV, hepatite B, tem tratamento. E tudo que é bactéria, quando tratado corretamente, tem cura, como é o caso da sífilis e da gonorreia."

A infectologista Joselita confirmou que qualquer pessoa sexualmente ativa pode estar infectada por uma DST. "É preciso ficar atento aos sinais e sintomas no próprio corpo. O sinal é tudo que pode ser visto e constatado pelo profissional de saúde, como verruga genital, corrimento, feridas. Os sintomas são basicamente os relatos e as queixas do paciente. Por exemplo: a pessoa pode dizer que sente dor nas relações sexuais, ardor ao urinar, coceira, entre outros."

Unidade Básica de Saúde

De acordo com os especialistas, o local mais indicado para tratar as DSTs são as UBSs (Unidades Básicas de Saúde). "Há doenças que podem ser prevenidas também com vacinas, como o caso da hepatite B e do HPV. Há outras em que o tratamento é fácil e rápido, como é o caso da sífilis primária, tratada com uma única dose de penicilina benzatina. E as unidades básicas têm um papel importantíssimo para identificar as DSTs. Se o paciente descobre que está infectado com uma, não podemos perder a oportunidade de solicitar outros exames para outras sorologias”, explicou Valdir.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que ocorram 360 milhões de casos de DSTs por ano no mundo. "Não sabemos qual é o impacto global disso, há só estimativas. Temos hoje muitos desafios para vencer a cadeia de transmissão destas doenças. O maior deles é tratar o parceiro sexual do infectado”, completou o ginecologista.

Medo de julgamento

Tanto Valdir como Joselita concordam que muitas pessoas têm dificuldades de procurar tratamentos nos serviços de saúde com medo do julgamento por parte do profissional. "Nós, da área da saúde, não somos juízes, nosso papel é solucionar problemas e tratar doenças, se o cidadão não usou preservativo não é nosso papel julgar", disse Valdir. “Temos de vencer todas as barreiras e atender da melhor forma possível”, comentou Joselita.

Alguns sintomas

As doenças sexualmente transmissíveis, além de serem muitas, podem ter sintomas parecidos. “Diferente dos homens, a maior parte das DSTs em mulheres são assintomáticas”, afirmou Joselita. “Não sinta vergonha de conversar com o profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre sexo ou qualquer coisa diferente que esteja percebendo ou sentindo. É bacana sempre buscar informações e esclarecimentos”, aconselhou Joselita.

De acordo com os especialistas, “o corrimento pelo colo do útero pode indicar que a pessoa se infectou por gonorreia ou clamídia. A presença de feridas na região genital, dolorosas ou não, antecedidas ou não por bolhas pequenas, acompanhadas ou não de “íngua” na virilha, pode ser sífilis, cancro mole, herpes genital, donovanose, linfogranuloma venéreo. Verrugas genitais ou "crista de galo", que são pequenas no início e podem crescer rápido e se parecer com uma couve-flor, podem ser uma infecção pelo HPV”, disse Valdir.

Participação

Cerca de 20 pessoas participaram do evento, que contou com dinâmicas e estudos de casos de DSTs.

“Este evento atende a uma solicitação do Mopaids ao Programa de Aids. Abraçamos a ideia porque acreditamos que oficinas como essa são importantes para socializar informações. Levamos em conta também que DSTs são portas de entrada para o HIV. Temos que alertar nossos pares sobre a importância de tratar as DSTs corretamente. Assim, muitos vão procurar mais o médico e menos o farmacêutico”, disse Marcos Blum, da articulação com a sociedade civil, do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo.

Na mesma linha, o coordenador do Mopaids e do Instituto Vida Nova, Américo Nunes, elogiou a aula. "Fiquei feliz, pois conseguimos identificar aqui a necessidade de ampliar as discussões sobre DST na atenção básica da cidade e em outros setores. Agora, temos mais embasamento para cobrar do governo ações efetivas contra as DSTs. Outro fator importante é incluir a população com deficiência auditiva e visual nas discussões, assim, poderemos ampliar o foco da prevenção como promoção da saúde sexual", finalizou o ativista.