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Nome social de travestis e transexuais será utilizado na chamada

Centro Universitário UNA aprovou resolução que passa a tratar alunos e alunas travestis ou transexuais pelos nomes sociais desde a chamada presencial até o envio de documentos e boletos para os estudantes.

O Tempo - via Agência Aids
28/04/2015

Centro Universitário UNA aprovou resolução que passa a tratar alunos e alunas travestis ou transexuais pelos nomes sociais desde a chamada presencial até o envio de documentos e boletos para os estudantes.

"É um constrangimento enorme quando chamam o meu nome de batismo na chamada, parece que estão falando um palavrão", relata a estudante de jornalismo do Centro Universitário UNA, Yueh Fernandes, de 22 anos.

Mas os dias de constrangimento para ela e tantos outros estudantes travestis e transexuais da instituição ficaram para trás. É que desde a última sexta-feira (24), estes alunos e alunas da UNA, em Minas Gerais, devem ser tratados pelo nome social desde a chamada presencial até a hora de receberem documentos e boletos da faculdade.

Na ocasião, foi aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UNA, a resolução que assegura o uso do nome social. A prática já era adotada parcialmente desde fevereiro do ano passado, quando os estudantes já podiam ter seus nomes sociais nas carteirinhas de identificação da universidade.

O professor e coordenador do projeto de extensão "UNA-se contra a Homofobia", Roberto Reis, comemora a medida. “Com a aprovação dessa resolução, o Centro Universitário UNA reafirma seu compromisso com uma formação cidadã e plural dos nossos alunos e alunas. Estudantes e professores têm celebrado, desde sexta-feira, a decisão nas redes sociais. Há alguns anos, temos desenvolvido ações de conscientização de respeito à diversidade e contra a homofobia e a transfobia, como mesas redondas, palestras, campanhas publicitárias, exposições de fotos, mostras de filmes e oficinas de capacitação para o corpo docente. Essa bela decisão é fruto de um processo que envolve professores, alunos e funcionários”, comenta.

Yueh Fernandes é uma das alunas que teve assegurado o seu direito a identidade de gênero. “Essa mudança mudou completamente a minha vida. Você não imagina o constrangimento enorme que eu sinto quando chamam pelo meu nome de batismo na chamada", conta. A estudante, que é transexual, adotou o nome há cerca de três meses. Antes disso, porém, ela utilizava "Louie" como nome social desde o Ensino Médio, que era também um apelido. “Nunca sofri discriminação na UNA, mas algumas pessoas fazem confusão mesmo com o nome, tem gente que demora a se acostumar”, diz.

Como ela, o estudante de Direito Carl Benzaquen, de 24 anos, relata a mudança que a formalização da medida na instituição gerou em sua vida. “Vale lembrar que essa utilização de nome social me ajuda até hoje, porque não é só na lista de chamada e no sistema virtual da faculdade que muda. Muda também nos boletos e nas malas diretas que a faculdade envia pra gente, e isso produz dados que mostra que você usa o nome social no seu cotidiano, 80% da minha petição foi com esse material que recebi da UNA”, comenta.

Para o presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno, a resolução é um grande avanço para se assegurar os direitos da comunidade LGBT. “Essa medida é extremamente importante para combater o preconceito e é uma ação afirmativa para que essa população, principalmente travestis e transexuais, possam se manter dentro do ambiente escolar sem nenhum tipo de discriminação”, diz.

Além da UNA, a PUC Minas também adotou recentemente a medida. Desde o dia 30 de março, data em que a portaria entrou em vigor, os alunos travestis e transexuais podem solicitar à PUC que sejam tratados por seus nomes sociais.