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Congresso de DST e HIV: Experiência brasileira no combate à aids pode ser replicada no enfrentamento de outras ISTs, sugere Mauro Romero

Quase mil pessoas, entre cientistas, médicos, governo, estudantes e sociedade civil, do Brasil e do mundo, estão no Rio de Janeiro para o 22º Congresso Mundial de Doenças Sexualmente Transmissíveis e HIV, 11º Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e 7º Congresso Brasileiro de Aids

Agência Aids
09/07/2017

Quase mil pessoas, entre cientistas, médicos, governo, estudantes e sociedade civil, do Brasil e do mundo, estão no Rio de Janeiro para o 22º Congresso Mundial de Doenças Sexualmente Transmissíveis e HIV, 11º Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e 7º Congresso Brasileiro de Aids. Na cerimônia de abertura, na noite deste domingo (9), o presidente do evento, Mauro Romero Passos, pediu mais empenho no combate às DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). "O Brasil foi um dos primeiros países a disponibilizar o tratamento contra o HIV para todos, o nosso programa contra a aids é fortíssimo, as políticas de tratamento e diagnóstico funcionam bem. O problema é que ainda estamos patinando no enfrentamento das clássicas doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e a gonorreia", criticou o especialista.

A boa notícia, segundo ele, é o avanço brasileiro nas estratégias de prevenção do HPV. "Já está disponível no SUS a vacina contra o HPV. Ela contribui para redução da incidência do câncer de colo de útero, vulva e ânus, nas mulheres; previne verrugas genitais, boca e orofaringe, em mulheres e homens; e contra os cânceres de pênis, garganta e de ânus e outras doenças diretamente relacionadas ao vírus, nos meninos."

O médico acredita que "não há uma receita pronta na luta contra as DSTs, mas podemos começar mudando atitudes, divulgando os dados científicos, investir em educação médica continuada e educação em saúde", sugeriu Mauro. “Também precisamos de mais investimento financeiro”, completou.

Como parte das boas-vindas aos congressistas, Mauro relembrou sua trajetória na luta contra as DSTs. Em novembro de 1991, uma semana antes de se formar, ele participou pela primeira vez de um Congresso de DST. “Estou muito feliz com a proposta deste evento, é claro que tivemos muitos problemas na organização, mas deu certo. Nesta edição, os participantes terão a oportunidade de conviver com os mais importantes pesquisadores de DST do mundo, a programação está recheada de novidades.”

A presidente da Sociedade Internacional para Pesquisas sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e professora da divisão de Alergia e Doenças Infecciosas, no Departamento de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, Jeanne Marrazzo, concordou com Mauro. "Estamos aqui para apresentar os melhores dados científicos sobre DSTs e HIV. Essa é a primeira vez que o evento mundial acontece no hemisfério sul. É especial estar no Brasil, este congresso representa o compromisso com o tema e com fé conseguiremos avançar", declarou.

Segundo a especialista, a programação do Congresso Mundial está dividida em palestras, plenárias, simpósios, apresentações orais e pré-congresso. "O próximo evento será em 2019, em Vancouver, no Canadá."

Ainda na mesa de abertura, David Lewis, presidente da União Internacional contra Infecções de Transmissão Sexual (IUSTI), destacou que a IUSTI foi fundada em 1923 e está organizada tanto a nível mundial como regional. "Essa é a organização internacional mais antiga com o objetivo de promover a cooperação internacional no controle de infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV/aids. Nosso trabalho está envolve os aspectos médicos, científicos, sociais e epidemiológicos das infecções e seu controle."

As médicas Angélica Spinosa Miranda, presidente da SBDST (Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis), e Caroline Cameron, do Departamento de Bioquímica e Microbiologia da Universidade de Victoria, no Canadá, responsáveis pelo comitê cientifico do evento, foram homenageadas e receberam flores do Dr. Mauro Romero na abertura oficial, que terminou de um jeito bem brasileiro, com um coquetel de churrasco, cerveja e caipirinha.