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Lá Em Casa: Políticos, gestores e ativistas prestigiam lançamento do espaço de reabilitação e convivência para pessoas com HIV/aids

O Lá Em Casa oferece, gratuitamente, programas de atividades físicas para pessoas carentes vivendo com HIV/aids, com foco no combate à lipodistrofia, síndrome que causa nos soropositivos a má distribuição da gordura corporal.

Agência Aids
25/04/2015

O senador José Serra (PSDB), o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, a superintendente do Senac SP, Lucila Sciotti, a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, a do Programa Municipal, Eliana Gutierrez, o ativista Américo Nunes Neto, do Instituto Vida Nova estiveram entre os muitos convidados que prestigiaram a inauguração do espaço Lá Em Casa - Saúde, Arte, Bem-Estar e Cidadania. Uma iniciativa da jornalista Roseli Tardelli, o projeto abriu as portas nesse sábado (25), no endereço onde Roseli passou a infância com o irmão Sérgio Tardelli, morto em consequência da aids em 1994, e seus pais, Antônio e Idalina, também mortos.

O Lá Em Casa oferece, gratuitamente, programas de atividades físicas para pessoas carentes vivendo com HIV/aids, com foco no combate à lipodistrofia, síndrome que causa nos soropositivos a má distribuição da gordura corporal. É também um espaço de convivência. O evento de inauguração foi apresentado pelo ator Tadeu Di Pietro e teve apresentações de Duofel, grupo Dedo de Moça e o músico Luiz Gayotto.

“Roseli é uma comandante do trabalho da solidariedade”, disse o senador Serra. “Eu a conheço desde que ela trabalhou na Rádio Eldorado e sei do compromisso que tem com a aids. Esta é mais uma iniciativa incrível da parte da Roseli. Considero importante ser na casa que foi da família dela e o fato de surgir num momento em que os avanços na área da aids estão estacionados”, continuou Serra, que prometeu trabalhar pelo combate à doença em Brasília.

Falando em nome do Sesc, um dos apoiadores do projeto, Danilo ressaltou que tão importante quanto promover o bem-estar é combater o preconceito que ainda cerca as pessoas com HIV/aids. “A grande conquista que a sociedade ainda não conseguiu [obter] é o sentimento absoluto da igualdade e sei que esse projeto também busca isso. Mexer com a cabeça das pessoas nos envolve e nos motiva. Nossa instituição [o Sesc] tem essa missão e, por isso, apoia esse trabalho.”

Lucila agradeceu Roseli por proporcionar ao Senac, outro apoiador, a oportunidade de contribuir para com a realização desse seu sonho. “Nós precisamos de envolvimento e Roseli nos proporciona isso.”

Américo Nunes Neto, do Instituto Vida Nova, ONG parceira do Lá´em Casa e que mantém uma acadêmia nos mesmo moldes da inaugurada hoje, se disse orgulhoso por ter inspirado um projeto novo. "Estamos aqui para somar esforços com o movimento social e os programa de aids."
O ativista José Araújo Lima, representando o Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids) comentou que, para se ter uma boa história é preciso ter personagens no lugar certo. “O Lá Em Casa tem. O Reinaldo Sobrinho [educador físico que coordena o trabalho] é ótimo profissional.”

Maria Clara Gianna parabenizou Roseli e os apoiadores. “Com certeza, vai ter um impacto positivo na qualidade de vida das pessoas e na prevenção da lipodistrofia. Espero que abram outros espaços como esse na cidade.”

“E um espaço interessante, pois, por ser a casa da Roseli, já nasce com um aspecto acolhedor, o que faz a diferença em relação a uma academia comum”, disse Eliana Gutierrez.

Representando Fábio Mesquita, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, o jornalista Marcelo Oliveira comentou que o Lá Em Casa é um dos ápices da luta de Roseli Tardelli e da militância de São Paulo. “Vai atender uma demanda que tem exigido cuidados, que é a da lipodistrofia.”

Cássio Rodrigo, assessor de gênero e etnias da Secretaria de Estado da Cultura, também citou o recrudescimento da epidemia da aids ao destacar a importância do projeto. “Dar qualidade de vida às pessoas é nossa principal tarefa”, falou Cássio.

“É um projeto que demonstra o quanto a sociedade civil pode contribuir para com a prevenção e o combate à lipodistrofia. Sem contar que atividade física faz bem à saúde geral. E acho importante que essa força da luta da Roseli não se acabe, esteja sempre inovando, continuando”, disse Marcos Blum, técnico da articulação com a sociedade civil do Programa Municipal.

Também do Programa Municipal, Rubens Oliveira Duda, assessor da coordenação, destacou a importância afetiva do projeto. “Diferente de outros esse já nasce com uma história por ser na casa onde Roseli começou sua luta contra a aids com o irmão Sérgio. É comovente que ela tenha dado um destino social a algo pessoal”, disse Duda.

Vice-presidente da Sociedade Padre Costanzo Dalbezio, mantenedora da Casa de Apoio Siloé, Marlene Silva Ribeiro contou que alguns adolescentes que vivem na instituição pretendem frequentar as aulas de ginástica. "Esse espaço é um passo grande da sociedade civil muito significativo para a nossa luta contra a aids. Traz esperança e uma injeção de ânimo, nos mostrando que não podemos desanimar."

Fazendo jus à fama de inovadora, Roseli Tardelli não chamou um padre e sim uma freira, a Irmã Judith Lupo, da ONG Nossa Senhora do Bom Parto, para dar a bênção ao espaço. “Minha mãe era Filha de Maria [congregação católica] e por isso chamei uma irmã, não um padre. Sou kardecista e admiro as religiões que promovem a inclusão, pois o que vale é o amor. Onde há amor, não sobra espaço para inveja, egoísmo, má vontade e o e o tempero dessa caso é o amor”, disse Roseli ao chamar a irmã. “Espero que as pessoas que chegarem a essa casa se sintam acolhidas e com tanta vontade de viver quanto a que tinha o meu irmão.”

Irmã Judith trouxe para a casa uma imagem de Nossa Senhora e disse que ela é quem estava abençoando o espaço. “Que seja uma casa de muito amor. O amor leva a tudo que existe de bom”, disse a freira antes de rezar com os convidados uma Ave-Maria. “Que quando o HIV acabar, essa casa sirva para outra coisa boa.”

O superintendente do Hospital Sírio Libanês, Gonzalo Vecina também prestigiou a iniciativa. "Espaços de terapia comunitária, como este, são sempre bem-vindos. O sucesso da aids no Brasil se deve ao movimento social e essa é mais uma conquista da sociedade civil. Se a doença depender só de políticos, os números não serão tão animadores."

Inscrições para o pojeto: reinaldo_sobrinhos@hotmail.com

Serviço:
Projeto Lá Em Casa -- Saúde, Arte, Bem-Estar e Cidadania,
Endereço: Rua Serra Azul, 74, Casa Verde, zona norte de São Paulo. O número 156 da Prefeitura de São Paulo informa qual é o melhor trajeto e a condução para chegar ao Lá Em Casa.