Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids email mopaids@gmail.com

7 de abril — Dia Mundial da Saúde

Saúde é direito, cuidado é compromisso: pela vida, pelo SUS e pela dignidade das pessoas vivendo com HIV/aids

Saúde é direito, não privilégio: o SUS e a justiça social são fundamentais para garantir cuidado, dignidade e vida às pessoas vivendo com HIV/aids. | Foto de Tutz Dias na Unsplash

Mopaids
07/04/2026

Neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, o MOPAIDS — Movimento Paulistano de Luta contra a Aids — reafirma um princípio inegociável: saúde não é mercadoria, não é privilégio e não pode ser reduzida à ausência de doença. Saúde é direito humano fundamental, é condição para o exercício pleno da cidadania e só pode existir de forma integral quando articulada à justiça social, à dignidade e à vida.

Falar de saúde, neste tempo, é falar de disputa de projetos de sociedade. De um lado, forças que fragmentam o cuidado, enfraquecem o Sistema Único de Saúde e tratam vidas como números. De outro, a luta histórica dos movimentos sociais, que construíram — com resistência, ciência e participação popular — uma das maiores políticas públicas de saúde do mundo: o SUS.

É neste campo de luta que seguimos.

Para as pessoas vivendo com HIV/aids, saúde integral significa muito mais do que acesso ao tratamento antirretroviral. Significa viver sem estigma, sem discriminação, sem violência institucional. Significa ter acesso à moradia, alimentação adequada, saúde mental, trabalho, renda, educação e cuidado contínuo.

A ciência avançou. Hoje sabemos que indetectável = intransmissível. Sabemos que há prevenção combinada, novas tecnologias, novas estratégias. Mas nenhum avanço científico se sustenta sem acesso universal, sem políticas públicas fortes e sem o enfrentamento das desigualdades que atravessam os corpos e os territórios.

Neste sentido, o MOPAIDS reafirma a necessidade urgente de incorporação, pelo SUS, das novas tecnologias de prevenção e tratamento do HIV, incluindo os medicamentos injetáveis de longa duração. Esses avanços representam uma mudança concreta na qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV e nas estratégias de prevenção, mas seu impacto só será real se houver acesso público, universal e equitativo.

Defendemos que essas tecnologias sejam disponibilizadas com preços compatíveis com a realidade brasileira e com o caráter público do SUS — e não submetidas exclusivamente à lógica mercadológica da indústria farmacêutica, que historicamente impõe barreiras ao acesso em países de grande escala como o Brasil.

Não existe resposta eficaz ao HIV onde há racismo, LGBTfobia, machismo, pobreza e exclusão.

Defender a saúde integral das pessoas vivendo com HIV é, necessariamente, defender justiça social.

O SUS não é apenas um sistema de saúde. É um projeto civilizatório.

Foi o SUS que garantiu o acesso universal ao tratamento de HIV no Brasil. Foi o SUS que estruturou políticas de prevenção, testagem, cuidado e acompanhamento. Foi o SUS que salvou — e segue salvando — milhões de vidas.

Mas o SUS está em permanente disputa. Sofre com o subfinanciamento, com tentativas de desmonte, com a precarização do trabalho em saúde e com a desvalorização da participação social.

Defender o SUS é defender a vida.

É exigir financiamento adequado, valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, fortalecimento da atenção básica, ampliação do acesso às tecnologias de prevenção e tratamento, e garantia de políticas públicas que cheguem, de fato, a quem mais precisa.

A resposta brasileira ao HIV/aids sempre foi reconhecida internacionalmente por um diferencial: a articulação entre ciência, Estado e sociedade civil.

Não há inovação real sem escuta. Não há política pública eficaz sem participação social. Não há cuidado possível sem vínculo com o território.

As organizações da sociedade civil, os movimentos sociais e as redes de pessoas vivendo com HIV são protagonistas históricos dessa resposta. Produzem conhecimento, constroem estratégias, acolhem, denunciam violações e sustentam, no cotidiano, aquilo que muitas vezes o Estado não alcança.

É preciso reconhecer, fortalecer e financiar essas iniciativas.

Sem comunidade, não há resposta.

Não existe saúde onde direitos são negados.

A criminalização, o estigma, a violência e a exclusão seguem sendo barreiras concretas no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento do HIV. Populações historicamente vulnerabilizadas continuam sendo as mais afetadas — não por escolha, mas por estruturas sociais que produzem desigualdade.

Defender direitos humanos é defender políticas públicas inclusivas, é garantir acesso universal, é enfrentar todas as formas de preconceito e discriminação.

É afirmar, de forma inegociável, que todas as vidas importam.

Neste Dia Mundial da Saúde, o MOPAIDS reafirma seu compromisso com a defesa intransigente da vida, do SUS, da ciência e dos direitos humanos.

Seguiremos denunciando retrocessos. Seguiremos incidindo nas políticas públicas. Seguiremos construindo, em rede, uma resposta que coloque no centro as pessoas, seus territórios e suas realidades.

Porque saúde não se negocia.
Porque viver com dignidade é um direito.
Porque nenhuma vida pode ficar para trás.