Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids email mopaids@gmail.com

Sem justiça social, não há fim da tuberculose: o chamado do Mopaids neste 24 de março

No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, movimento destaca relação com HIV, desigualdades sociais e cobra respostas integradas baseadas em direitos humanos e fortalecimento do SUS

Munícipe em situação de rua em São Paulo
Combater a tuberculose exige mais do que tratamento: requer justiça social, enfrentamento das desigualdades e fortalecimento do SUS. | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Mopaids
24/03/2026

No Dia Mundial de Combate à Tuberculose, o Mopaids – Movimento Paulistano de Luta Contra Aids – reafirma sua trajetória histórica de luta comunitária e de incidência política em defesa da vida, da saúde pública e da justiça social. Mais do que uma data simbólica, este 24 de março nos convoca a enfrentar as raízes estruturais que mantêm a tuberculose ativa, disseminada e profundamente associada à pobreza, às desigualdades e à exclusão social.

A tuberculose não é apenas uma doença infecciosa: é expressão direta das iniquidades. Ela avança onde faltam moradia digna, alimentação adequada, renda, acesso a serviços de saúde de qualidade e políticas públicas efetivas. Por isso, combater a TB exige muito mais do que respostas biomédicas — exige compromisso político com a superação da pobreza e com a garantia de direitos.

Neste contexto, o Mopaids destaca que a Rede Paulista de Controle da Tuberculose integra e fortalece o próprio movimento, sendo parte ativa da nossa construção coletiva. Sua atuação no estado de São Paulo é estratégica na articulação entre sociedade civil, serviços de saúde e gestores públicos, contribuindo para o controle social, a defesa do SUS e a ampliação do acesso ao cuidado.

É impossível falar de tuberculose no Brasil sem falar da epidemia de HIV. A TB segue como a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV, revelando falhas graves na integração das políticas públicas, no diagnóstico oportuno e no cuidado contínuo. Pessoas vivendo com HIV enfrentam maior risco de adoecimento por tuberculose, formas mais graves da doença e barreiras adicionais no acesso ao tratamento — especialmente quando atravessadas por outras vulnerabilidades sociais.

Por isso, reafirmamos a urgência de respostas intersetoriais e integradas, que articulem as políticas de HIV e TB e garantam:

  • testagem universal e diagnóstico precoce para ambas as infecções;
  • tratamento adequado, oportuno e humanizado;
  • acompanhamento contínuo, com foco na adesão e na qualidade de vida;
  • enfrentamento do estigma e da discriminação nos serviços de saúde.

Chamamos atenção, ainda, para as populações que seguem sendo sistematicamente negligenciadas nas respostas institucionais:

  • pessoas vivendo com HIV;
  • pessoas privadas de liberdade;
  • população em situação de rua;
  • povos originários e comunidades tradicionais.

Nesses grupos, a tuberculose encontra terreno fértil, impulsionada por condições estruturais adversas, racismo, violência institucional e ausência de políticas públicas efetivas. Não haverá eliminação da tuberculose sem enfrentar essas desigualdades de forma direta e comprometida.

O Mopaids segue ao lado das redes, movimentos e organizações da sociedade civil em todo o país, reafirmando solidariedade, compromisso e luta coletiva. Defendemos o fortalecimento do SUS, o financiamento adequado das políticas de saúde e a construção de estratégias que coloquem no centro as pessoas mais afetadas.

Seguimos mobilizados por justiça social, por equidade e por um mundo sem tuberculose — onde viver com HIV não signifique maior risco de morrer por uma doença evitável e curável.

Mopaids – Movimento Paulistano de Luta Contra Aids